UMA VISÃO GRANDIOSA
Nos últimos anos o avanço espetacular do processo de internacionalização da economia trouxe para mais perto da realidade o sonho de Adam Smith que já, em 1776, alentava a visão de “um mundo unido pelo comércio, irmanado na busca da prosperidade e onde cada nação participava de acordo com suas capacidades”.
De certo modo, o insigne mestre antecipava que o capitalismo, através de sua filha predileta, a globalização, seria o sistema econômico mais promissor para a prosperidade mundial, acelerando a convergência entre as nações para compartilhar, de modo justo, os benefícios do progresso.
Por outra parte, é muito real a sensação que essa travessia para um futuro melhor nos coloca a todos no mesmo barco, ainda que, infelizmente, os últimos acontecimentos – guerra, crise de energia, inflação, desacordos entre as nações, falhas políticas gigantescas – apenas servem de exemplos incontestes para essa interdependência, apesar de que alguns viajem de primeira classe e muitos nas cabines abaixo da linha de flutuação. (Lembram o Titanic?)
É claro que o termo “globalização” suscita embates eletrizantes entre os que estão a favor – que apontam os resultados positivos derivados do crescimento espetacular do comércio, da tecnologia, do turismo e dos investimentos internacionais – com aqueles preocupados com a concentração crescente da riqueza, o aumento do desemprego, o escasso dinamismo do crescimento em quatro de cada cinco países e a falta de respostas contundentes para as disparidades sociais crescentes, injustas e que jogam por terra o avanço de uma parte da sociedade mundial.
Mas, de qualquer modo, o processo parece irreversível e, possivelmente, definitivo. Até porque surgiu naturalmente, sem pais conhecidos, sem donos, sem profetas. E quem sabe por que, na sua forma primitiva, teve origem nos alvores da humanidade para dar vazão à curiosidade e o espírito aventureiro de nossos ancestrais, para muitos dos quais as trocas – o comércio – era uma questão de sobrevivência e de progresso, que justificaram e ajudam a entender um de seus momentos mais gloriosos: As viagens do Descobrimento, pouco mais de 500 anos atrás.
De tudo, o importante é não esquecer que, para muitos, a virtude intrínseca da globalização reside no fato de ser a maior promessa de sustentação da paz que a humanidade, guerreira por natureza, conheceu no decorrer de sua fascinante e atribulada história. O que, de longe, justifica sua existência e os esforços para seu aperfeiçoamento e continuidade.

