UMA QUESTÃO VITAL
Um seleto grupo dos mais afamados economistas, em badalado seminário sobre alternativas para gerar empregos, concluiu que sem consumo em expansão não pode existir desenvolvimento economicamente sustentável num país com as características do Brasil e, consequentemente, os mercados serão fatalmente reduzidos e facilmente eliminados. E, sem mercados, não existem empresas. E, sem empresas, não podem existir empresários. E, sem empresários, não podem existirempregos. E sem empregos, o país retrocede e abre espaço para incontáveis mazelas sociais.
Também, é consenso que ao Governo corresponde exercer, de modo inquestionável, seu papel de dinamizador e regulador do processo de geração de riquezas que, para ser eficiente e inclusivo, precisa do guia de um Projeto Nacional de Desenvolvimento, com políticas de longo prazo e objetivos claros, precisos e transparentes que assegurem sua realização.
Comprovadamente, isso é possível e gera empregos, independentemente das crises que, com rara persistência, impedem um andar sem sobressaltos da economia.
Como subsídio importante, estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) revela a necessidade de gerar, pelo menos, 20.000.000 de empregos nos próximos 10 anos, façanha que seria muito mais fácil com uma mudança estratégica na política de concessão de empréstimos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que precisa priorizar recursos para pequenas e medias empresas (P&M) como alternativa eficaz para ajudar na solução desse problema.
O BNDES sempre deu prioridade absoluta à empréstimos para grandes empresas. Porém, a realidade é que o custo de um emprego numa P&M urbana não passa de US$ 6.000, 15 vezes menor que aquele necessário para alavancar um posto de trabalho numa grande empresa. Outrossim, a capacidade de geração de empregos indiretos dos pequenos empreendimentos é, pelo menos, equivalente àquela dos grandes projetos, o que significa outra vantagem extraordinária que corrobora a importância desses empreendimentos e, por isso, é necessário uma mudança radical de foco.
É preciso entender que, em momentos de crise, é fundamental o combate prioritário e sem tréguas à falta de oportunidades de trabalho – o desemprego é sua face mais visível.
Essa ruptura do tecido social gera efeitos com poder suficiente para arrasar as conquistas obtidas com anos de trabalho, movimentando seus tentáculos maldosos para esmagar as esperanças de uma vida digna para dezenas de milhões de pessoas.
Tudo isso faz da luta para manter e aumentar a oferta de oportunidades de trabalho um ponto fundamental na agenda de um desenvolvimento contínuo, social e economicamente sustentável.

