O ABISMO
As Nações Unidas (ONU) publicaram recentemente novos informes que revelam claramente que vivemos num mundo profundamente desigual, onde apenas 1% da população mundial acumula 99% da riqueza planetária.
E para aprofundar esse abismo, a entidade revela que essa concentração de riqueza não para de aumentar e que, desde 1990, as crises que assolaram o mundo foram substancialmente favoráveis aos mais abastados que, independentemente dos tropeços da economia planetária nesses últimos 25 anos, simplesmente duplicaram sua fortuna!
A ONU também detectou essa falha gritante e não cansa de sugerir e lutar sem trégua pela adoção de medidas que ajudem a eliminar ou diminuir os efeitos dessa iniquidade que, para muitos, é uma ruptura inaceitável na textura social do Século XXI.
Nesse esforço, tem destaque a implementação integral das medidas sugeridas na Agenda 30 para o Desenvolvimento Sustentável, princípios reconhecidos pelo seu alcance e efeitos positivos sobre a qualidade de vida da imensa maioria das pessoas e que significam um poderoso auxiliar no combate desse flagelo, origem da maioria das mazelas da sociedade.
Agora, muita atenção: Deixando de lado, por um instante, o imperativo de justiça social, essa concentração de riqueza tem efeitos negativos nos mercados, e isso, por dizer o menos, é ruim para os negócios, afrontando um dos mais caros princípios do sistema moderno de produção de riqueza. Inaceitável, diriam muitos poderosos representantes da riqueza global!
Na visão de mudança desse modelo, prestigiosos economistas defendem a necessidade de uma riqueza melhor distribuída, indicando que, entre seus notáveis efeitos positivos, esse compartilhamento gera mercados saudáveis e crescentes, essenciais para um desenvolvimento sustentável. E claro, para a geração de benefícios
imprescindíveis para a manutenção do “sistema”!
Vale lembrar uma alentada análise de Joseph Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia e severo analista do sistema que governa o mundo: “Desde os anos 80, o capitalismo foi fortemente desregulado ao estilo americano, logo imitado pelos demais países ricos. Na verdade, a promoção dessa ideologia trouxe bem-estar material para os ricos do mundo, enquanto os demais viram sua renda estagnar ou diminuir ano após ano».
A civilização do Século XXI precisa despertar para a necessidade urgente de encontrar novas soluções que ajudem na redução dessas disparidades tão gritantes, lembrando que, queiramos ou não, todos estamos no mesmo barco!

