Região Sul precisa de R$ 70 bi para não perder competitividade

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A Região Sul do Brasil, responsável por 17% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, precisa de R$ 70 bilhões para destravar os gargalos logísticos e, assim, não perder competitividade. A estimativa consta de estudo da consultoria Macrologística encomendado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelas federações das indústrias de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul (FIESC, FIEP, FIERG).


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Estes investimentos teriam impacto direto no comércio exterior, especialmente para a integração internacional com Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. “O Sul recebe por volta de 87,4 milhões de toneladas de produtos de outros países ou outras regiões brasileiras que são consumidos nos três estados”, diz Olivier Girard, consultor da Macrologística.

Segundo Olivier Girard, consultor da Macrologística, o setor produtivo que seria mais beneficiado pelos investimentos elaborados é o agronegócio, sobretudo soja, milho, arroz, açúcar, álcool e produtos da avicultura e da suinocultura. Mercadorias industriais, como os dos setores têxtil e metal-mecânico, também ganhariam competitividade.

“Em 2010, foram movimentadas, em todo Sul do País, 422,7 milhões de toneladas de produtos fabricados na própria região”, diz Girard. O consultor explica ainda que deste total, 29,1 milhões de toneladas foram transportadas por ferrovia e 14,4 milhões por hidrovia. “Mais de 486 milhões de toneladas de produtos foram transportadas por rodovias”, afirma.

O estudo propõe que 51 dos 177 projetos elaborados para acelerar a recuperação da infraestrutura de logística da região sejam priorizados. Estes 51 projetos prioritários compõem oito eixos de integração de transportes. Cinco já existem. Os outros três devem ainda ser desenvolvidos, sendo dois ferroviários e um rodoviário.

O estudo sugere a criação de uma força tarefa entre governos, iniciativa privada e terceiro setor para garantir que os projetos, previstos em oito eixos prioritários, sejam viabilizados no curto e médio prazo. Esses oitos eixos demandariam juntos R$ 15,2 bilhões, o equivalente a apenas 22% do total previsto para a região. Caso sejam feitos, os investimentos evitariam gastos anuais de R$ 3,4 bilhões – o que representa 80% das perdas anuais totais verificadas nos três estados em função do déficit de infraestrutura de transportes. A estimativa é que as perdas logísticas nos 177 projetos contemplados somem por ano R$ 4,3 bilhões.

De acordo com Girard, as rodovias do Sul do País estão em melhor estado que as de outras nações da América do Sul, com exceção do Chile. O consultor aponta também que a malha ferroviária da região é boa, mas pequena quando se compara à da Argentina e do Chile. “Já as ferrovias do Uruguai estão em pior estado e não há ferrovias no Paraguai”, revela.

A estimativa do levantamento é que, se os investimentos previstos não forem feitos, o custo logístico de transportes local vai pular dos R$ 30,6 bilhões registrados em 2010 para R$ 47,8 bilhões em 2020, alta de 56,2%.

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