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Não é de hoje que renomadas  instituições, pelo mundo afora, divulgam advertências avisando do perigo do impacto  negativo da globalização sobre países do terceiro mundo, onde esse sistema de relacionamento econômico entre as nações – admitamos, de virtudes inegáveis – parece ser, de modo direto ou indireto, a causa do surgimento de um novo colonialismo, evidenciado  no aumento da supremacia  dos países ricos sobre os menos afortunados, o que, de certo modo, lembra aziagos tempos  que deixaram uma longa sequela de desgraças em boa parte do Planeta.

É claro que o termo “globalização” suscita embates eletrizantes entre os que estão a favor – que apontam os resultados positivos derivados do crescimento espetacular do comércio, do turismo e dos investimentos internacionais – com aqueles preocupados com a concentração crescente da riqueza, o aumento do desemprego, o escasso dinamismo do crescimento em dois de cada três países e a falta de respostas contundentes para as disparidades sociais.

No mundo real, é mais que evidente que não se pode escapar à comunidade internacional, embora nossa vida fosse (quem sabe) provavelmente mais fácil se os efeitos colaterais do processo de globalização deixassem de interferir em nosso caminho. Mas já que isso não é possível, teremos pela frente, queiramos ou não, a inevitabilidade de compartilhar os riscos de flutuações indesejáveis na economia e na política globalizados onde, certamente, haverá sempre uma boa chance de que algo saia errado em alguma parte do mundo e venha atrapalhar nossa “tranquilidade”.

     Nas últimas décadas, os exemplos são claros em deixar a descoberto a força desse laço entre as nações e confirmar que todos dependemos de todos, para o pior ou o melhor. Nesse início de Século XXI, o conflito na Europa, que estende seus malefícios para todos os países do mundo, é uma prova mais de nossa dependência global.

      Agora, parece mais que evidente que nesse garimpar de um caminho novo – seja lá o que isso venha significar nesse entrechocar de mundos em colisão – não pode ficar nenhuma dúvida que, de todos os modos imagináveis, é fundamental para as nações que pretendem sobreviver nos séculos vindouros, investir pesadamente e perseverar continuamente na busca de mais conhecimento, amparado na  inovação e na modelagem do espírito com  princípios éticos e morais, sem os quais as grandes construções humanas não passam de gigantes com pés de barro.

      Aqui, na terra descoberta por Cabral, temos um imenso desafio para transformar o Brasil em uma das nações de vanguarda – no mais amplo sentido do termo – nas próximas décadas que, ainda que plenas de incertezas, não deixam de oferecer a esperança de atender os anseios de um tempo cada vez melhor.


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