Diogo Bezerra – CEO da ACE LOGÍSTICA – Entrevista

“Minha empresa só existe faz mais de 10 anos, porque existem problemas para serem solucionados”

 

O quê a ACE LOGÍSTICA faz, o qué oferece e como nasceu?

A ACE nasceu no ano de 2009, ao princípio, com o serviço de intermediação e negociação de frete marítimo. Hoje a gente promove todos os serviços logísticos. Desde a coleta de mercadorías nas fábricas dos clientes até a entrega do comprador. Atualmente o 80% de nosso processo e volume de carga está voltado para exportação. Apenas o 20% para importação. A gente tem a meta nos próximos 12 meses, equilibrar um pouco essa equação para ter pelo menos um 60% de exportação e um 40% de importação. O ano passado a gente conseguiu esse nivel más desequilibrou novamente. Como a importação gera uma receita maior do que a exportação, para a gente é importante dessemvolver também esse mercado de importação.

Com quais tipos de produtos vocês acostumam trabalhar?

A gente não tem um foco específico em nenhuma mercadoria. Todo é acordo aos nossos clientes. As mercadorias são diversas, desde carne bovina, proteína animal em geral, até madeiras, açúcar, milho, máquinas, material de construção. Embora atualmente o maior volume é de produtos alimentícios por uma questão natural; o Brasil é um país exportador de produtos alimentícios, de produtos agrícolas e nosso maior volume é de exportação, até por uma questão natural do país, a gente acaba tendo um volume maior de produtos alimentícios, más não regula, a gente não foca especificamente nesse mercado. Ele simplesmente vem naturalmente por necessidade dos próprios clientes e a demanda que o mercado tem.

Quais são os principais mercados que vocês atendem?

Nesse ano de 2019, América Central respondeu bem, mas sempre a Ásia e África têm sido os mercados mais fortes. Más existe uma variação de ano a ano; tem ano que a gente tem uma demanda grande da Europa, Oriente Médio e aí no ano seguinte já muda um pouco o foco, então também tem essa variação da gente atingir.

Como você acha que o novo acordo de livre comércio do MERCOSUL e a UE, pode impactar nas suas operações?

A gente tem uma expectativa muito grande; que as nossas exportações ao mercado europeu e algumas importações incrementem bastante com relação a esse acordo.

Qué outros mercados gostariam de atingir também? Existe algum país específico?

A gente não tem isso como meta principal. A gente enxerga um mercado como um todo segundo nossas operações. Sem especificar um mercado. Tentamos ver segundo nossas operações onde pode ter uma oportunidade para desenvolver melhor.

Quais problemáticas vocês conseguem solucionar com facilidade?

Na condição de agente de carga, de quem provê um transporte internacional, o Brasil é um país que tem muitos “gargalos” logísticos. O que nós conseguimos fazer é tentar reduzir o ônus financeiro, o ônus em termos de eficiência. reduzir os custos e ser mais eficiente para o cliente. Então para pontuar, o que a gente consegue solucionar ao respeito das problemáticas são os “gargalos” logísticos e reduzir o custo para melhorar a eficiência para o cliente.

Diogo, o que você falaria para um exportador hoje?

Vou tentar ser direto para você. Eu diria assim para ele: “Eu estou aqui para resolver problemas” Eu só existo, minha empresa só existe faz mais de 10 anos, porque existem problemas para serem solucionados. Se as coisas funcionassem perfeitamente dentro do mercado logístico, eu não existiria. Então eu estou aqui para o solucionar, ou para ajudá-lo a solucionar”

Para saber também, o quê você sente pelo sector do comércio exterior e a logística?

Eu acho que é um sector que enfrenta uma transformação atualmente, não só no Brasil mas no mundo inteiro. As ferramentas de tecnologia tem mudado muito a nossa forma de trabalhar e a gente precisa se adaptar rapidamente a essas transformações. Quem não estiver preparado, e não se adaptar às transformações, principalmente às transformações que a tecnologia tem nos proporcionado, terá que enfrentar grandes dificuldades no futuro. Acho que a parte de tecnología tem uma relevância muito importante actualmente, as coisas estão transformando ao sector, sem dúvida nenhuma, ela transforma o sector, transforma o comportamento dos clientes inclusive e transforma a forma de trabalhar de fornecedores.

Quais são os principais serviços que vocês oferecem para enfrentar essas transformação?

O foco hoje é você não ser somente um vendedor de frete, o cliente não pode enxergar um agente de carga como um vendedor de frete. Porque comprar frete está muito fácil. Ele entra num site de uma companhia marítima e ele consegue fazer uma cotação online, pedir um booking online, e embarcar a carga dele, todas as coisas ele consegue fazer online. Então a função nossa como Agente de Carga é prover informação para o cliente, em tempo real, e antes que ele precise da informação. Em primeiro lugar, ser um provedor de informação para o cliente, em segundo lugar, oferecer mais serviços e integrar esses serviços, integrar um transporte terrestre, um serviço aduaneiro, despacho aduaneiro, o transporte marítimo, a entrega ao comprador final, o seguro da carga…então quanto mais serviços agregados eu consiga agregar ao cliente, menos trabalho ele vai ter, porque ele vai ter todo numa pessoa só.

Quais serviços de transporte tem maior demanda? Tem mais carga aérea circulando, mais terrestre?

Mais marítimo, o 95% dos nossos processos, eles são marítimos. Marítimo Full container. O restante 5% é bem dividido entre aéreo, rodoviário e o marítimo consolidado.

Quais são os próximos projetos para desenvolver com a ACE LOGÍSTICA?

Principalmente, expansão. Possuímos um dos nossos escritórios aqui na cidade de Mogi das Cruzes, o primeiro de agosto eu estou abrindo um escritório na cidade de São Paulo, São Paulo Capital e para os próximos dois anos a gente pretende ter uma unidade em Manaus e em outra cidade estratégica que a gente ainda vai definir. Para 2020, com certeza, ter um escritório em Manaus.

Parabéns por isso! Você poderia me dizer o que os clientes precisam?

Antes eu gostaria de fazer uma separação entre os clientes brasileiros e os clientes estrangeiros. O cliente europeu e americano, tem demandas diferentes, as culturas deles; eles possuem valores diferentes, morais diferentes. Eu gostaria de falar dos clientes brasileiros, que são a maioria de nossos clientes. O cliente brasileiro, ele ainda quer transparência e atenção. Ele quer que a informação venha até ele de uma forma orgânica, natural. Desde meu ponto de vista ele quer ser bem atendido, até por uma questão natural. Hoje temos muitas ferramentas de tecnología, ainda assim o cliente procura um atendimento personalizado.

A ACE acostuma visitar eventos ou estar fora do Brasil também?

Sim, a gente visita pelo menos duas ferias internacionais por ano. As últimas duas foram a SIAL em Paris em outubro de 2018, (a SIAL é uma feira de produtos alimentícios) e a SIAL em Shanghai que fomos em Maio deste ano, em 2019, onde a gente não participou como expositor ainda, talvez num futuro não tão distante a gente consiga entrar como expositor, mas a gente visita todos os Stands das empresas brasileiras que estão expondo e alguns de empresas estrangeiras que possam fazer negócios com o Brasil. A gente vai, conversar com eles, entende um pouco a realidade do segmento, entende um pouco da realidade de cada empresa, e tenta ajudá-los de alguma forma dentro de nosso conjunto de serviços.

Muito obrigado Diogo, e por último, você gostaria de contar alguma anedota, alguma situação com um cliente?

Existem várias que eu poderia contar, mas como falei agora a pouco nesse entrevista, nós somos solucionadores de problemas. Nós temos um caso bem emblemático de um cliente novo no mercado de exportação. Trata-se de uma exportação de açucar; ele exportou 1000 toneladas de açúcar para Cotonou, e teve grande problema lá; tentaram enganar ele, acabou vendendo e não recebendo e a gente teve que ajudar ele a redirecionar todo esse lote, eram 37 containers, para outro local para proteger a mercadoria dele, para que ele tivesse tempo de vender novamente para uma outro pessoa e depois receber. Então a gente consegue, meio que a distância, coordenando todo desde o Brasil, direcionar e fazer todo um trabalho logístico lá em Cotonou com grande adversidades locais, já que é um país bastante complicado que enfrenta um grande conflito interno. A gente conseguiu organizar aquilo e isso ficou bastante marcado, entre outros casos de clientes que estão conosco. Mas como falei, nada foi tão emblemático porque como diz os problemas acontecem e a gente trabalha com naturalidade, porque faz parte de nosso trabalho. Aquele cliente acabou virando nosso amigo, de tanto estar junto para receber o problema dele.

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