REALISMO GEOPOLITICO

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Nas últimas décadas a China acumulou os louros de seu espantoso crescimento econômico e geopolítico, registrando os maiores índices de desenvolvimento e de poder manifesto entre as grandes nações. Ainda mais: É o único país que pode rivalizar com os Estados Unidos em riqueza, ciência, tecnologia e inovação, tudo somado à produção de uma fabulosa quantidade e diversidade de bens, ao ponto que é considerada a “Fábrica do Mundo”.

Também, assume o título de maior exportado-importador e de máximo consumidor de matérias primas do globo; suas obras de engenharia empolgam pela sua grandiosidade e pioneirismo; tem avançado com ousadia na conquista do espaço como prova irrefutável de sua capacidade científica; e tem incursionado com extraordinário sucesso em diversas áreas do conhecimento, essenciais para assentar novas bases para o futuro.

Na verdade, a lista de superlativos para tentar definir a China está recheada de adjetivos que revelam assombro e admiração. No entanto, para manter os pés no chão, é preciso lembrar pontos obscuros desse perfil, como aqueles que assinalam uma governança muito mais próxima ao absolutismo que à democracia; a fragilidade dos direitos humanos; as ambições territoriais; a frequência assustadora da corrupção; a maior taxa mundial de emissão de gases de efeitos estufa; o elevado índice de poluição do ar e da água; os males causados por grandes desastres, tudo isso entremeado com diversos outros pontos negativos que fazem a alegria dos arautos das desventuras alheias.

Bem, apesar dos pesares, é preciso frisar que muitos desses gigantescos problemas – muitos inaceitáveis e combatidos sem trégua – não conseguem afastar a China de seus objetivos básicos e de suas prioridades, o que foi amplamente comprovado nas últimas décadas.

Então, é mais que recomendável ficar atentos, aproveitar com inteligência os incontáveis benefícios e oportunidades que um bom relacionamento com a segunda economia do mundo pode trazer, como o Brasil tem feito nas últimas décadas, mantendo a visão da importância de um ambiente de harmonia entre o colosso da Ásia e o gigante da América do Sul.

 Tanto é assim que as relações ambos os países são consolidados pelas dezenas de acordos de cooperação em áreas vitais para alcançar um desenvolvimento sustentável; pelo volume impressionante dos investimentos do dragão na terra descoberta por Cabral; pelo fato que, desde 2009, o gigante asiático é o principal parceiro comercial do Brasil e representa a maior parcela de saldos positivos no balanço de pagamentos.

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