ALÉM DO HORIZONTE
Nesses primeiros anos do Século XXI ficou mais que evidente que participamos de uma época sem precedentes, demarcada por uma conjugação de tendências que empurram a humanidade, inexoravelmente, para um tempo de incertezas e contradições e que, algumas vezes, parecem assinalar o fim da esperança de um futuro que atenda os anseios da maioria dos viajantes do Planeta Azul.
Ao mesmo tempo, eclodem também com força irresistível tanto questionamentos do papel do Estado e da forma de governo, como exigências para alterações na política, nos costumes, na preservação ambiental, no uso de recursos naturais, na urbanização, na governança pública, na gestão empresarial, na geração de energia, na forma de produzir riqueza e nas relações entre as nações,
Para pôr lenha na fogueia, serve o infeliz exemplo deste ano de 2022, quando a humanidade se debate, quase em desespero, entre as paixões, a insensatez, os egos, a insensibilidade e os interesses de meia dúzia de líderes de grandes nações – sempre acompanhados por seu desprezível séquito de aproveitadores das peripécias alheias – que trazem à tona os flagelos da guerra, da crise energética, da inflação, da recessão e do caos na economia.
Mas, tudo muda: Quando consigamos ultrapassar esse período tormentoso, poderemos verificar que estamos no umbral de um novo tempo embalado pelos fantásticos feitos da ciência, da tecnologia e do impacto formidável de descobertas nunca antes imaginadas, tudo fluindo para criar uma conjugação de tendências que, na sua essência, sinalizam os caminhos daquilo que podemos, com propriedade, denominar “a grande revolução para o futuro”.
Por isso, é fundamental a percepção de que à diferença de tempos passados – quando a terra, o trabalho, as matérias primas, a produção de bens tangíveis e a situação geográfica eram os símbolos máximos do poder e da riqueza das nações – agora surge um novo recurso na forma de dados, informação, símbolos, cultura, valores, imagens, ideologias, sintetizado como “conhecimento, a fronteira final da civilização”, no dizer do John Kenneth Galbraith.
Na verdade, essa nova forma de produzir riqueza é inesgotável, infinita e autossustentável, versão no Século XXI do sonho medieval do “modus perpetuo”, firmemente ancorada no papel decisivo dos computadores e da internet, fundamentais para erguer os pilares de uma nova era.
Apesar dos pesares, estamos no caminho certo.

