Comércio com a Argentina pode cair 10% em 2012, diz Abece

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A política protecionista adotada pela Argentina contra o Brasil no começo do ano pode fazer com que o comércio entre os dois países caia até 10% em 2012, prevê Ivan Ramalho, presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece). Na avaliação do ex-secretário executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o superávit de U$ 5,8 bilhões que o País teve em relação à nação portenha em 2011 é excessivo e, por isso, tem condições de ser reduzido, se os brasileiros se comprometerem a aumentar as compras de produtos argentinos. Ramalho acredita que essa pode ser a solução para o atual impasse entre os dois países.


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Com o objetivo de equilibrar as contas, a nação portenha adotou no início do ano licenças não-automáticas para os produtos brasileiros, o que dificulta e atrasa a entrada de mercadorias nacionais no país vizinho. “A Argentina tem hoje uma crise na balança comercial e não pode suportar um déficit tão grande com o Brasil. O país precisa aumentar as vendas, porque é praticamente a única maneira de que dispõe para obter recursos estrangeiros. É por isso que estão monitorando as importações”, diz. “O Brasil poderia aumentar a participação de produtos argentinos na pauta de bens importados, para evitar um superávit tão grande quanto o registrado no ano passado”, completa.

Segundo dados do MDIC, de 2000 a 2011, a corrente de comércio entre os dois países cresceu 202,8%, chegando a US$ 39,6 bilhões. No mesmo período, enquanto as exportações aumentaram 264%, para US$ 22,7 bilhões, as importações cresceram 147%, para US$ 16,9 bilhões. O saldo alcançou superávit de US$ 5,8 bilhões no ano passado, enquanto o déficit registrado no ano 2000 foi de US$ 605,5 milhões. Por causa das medidas adotadas pela Argentina, o comércio bilateral caiu também neste início de 2012. Na comparação dos quatro primeiros meses do ano com o primeiro quadrimestre de 2011, os embarques caíram 9,4%, para US$ 5,9 bilhões, e as compras diminuíram 4,9%, para US$ 4,9 bilhões. Só em abril, as vendas externas caíram 23,2%, para US$ 1,3 bilhão, e as importações registraram queda de 9,6%, para US$ 1,3 bilhão.

Ivan Ramalho diz que, historicamente, a Argentina sempre foi o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás somente dos EUA, mas perdeu a posição em 2008 para a China. Ainda assim, os argentinos mantiveram a participação registrada nos últimos anos no total do comércio brasileiro com o exterior: cerca de 8,5%. Hoje, a Argentina é o terceiro maior parceiro comercial do Brasil e a principal consumidora de produtos manufaturados nacionais.

De janeiro a abril deste ano, ainda segundo o MDIC, os principais produtos embarcados pelo Brasil foram automóveis com motor entre 1.500 e 3.000 cilindradas (13% do total), energia elétrica (5,2%), automóveis com motor entre 1.000 e 1.500 cilindradas (3,7%), minérios de ferro (3,3%) e outras partes de automóveis (2,14%). No ranking das dez mercadorias mais exportadas para a Argentina estão outros produtos da indústria automobilística nacional. “E são as mercadorias manufaturadas que mais geram empregos no Brasil”, lembra Ramalho. “Para reduzir o desequilíbrio que existe hoje e melhorar as relações comerciais dos dois mais antigos integrantes do Mercosul, o caminho ideal é aumentar a compra de produtos da Argentina”, insiste.

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